Séries Temporais
Notas: Estas são anotações pessoais de aula — não necessariamente coesas, não necessariamente estruturadas e, o mais importante, não necessariamente precisas! Por favor, verifique as fontes e sinta-se à vontade para apontar eventuais erros por e-mail!
Anotações da A1
1. Panorama: processo, realização e os 3 usos
- Série temporal (tempo discreto): observações indexadas no tempo. A ordem importa: cada pode depender do passado.
- Processo : a família de variáveis aleatórias (todas as trajetórias possíveis). Realização : a única trajetória que de fato observamos.
- Três usos complementares: descrever (tendência, sazonalidade), diagnosticar (sobrou memória no tempo?) e prever para a frente.
- Diferença para a regressão tabular: não é só a forma do modelo, é que as observações são dependentes e têm ordem natural. Mesmo com covariáveis no tempo, os resíduos podem continuar dependentes (resíduo com ACF ≠ 0 ainda há estrutura a modelar).
- Split treino/teste é cronológico. Sortear/embaralhar linhas mistura passado e futuro (data leakage) e invalida a validação preditiva.
2. Decomposição
- : tendência, nível de longo prazo.
- : sazonalidade, padrão que se repete no calendário com período (12 mensal, 4 trimestral, 7 diário com ciclo semanal).
- : resto (o que sobra depois de nomear e ). Espera-se algo parecido com ruído branco.
- Com covariáveis: . Olhar só o gráfico de mistura calendário/nível com o que as covariáveis explicariam.
- Multiplicativo: ; tomando vira aditivo.
- Média móvel de janela 12, : apaga o ciclo anual e deixa o nível lento (). Logo , não é o resto puro.
Três gráficos para a sazonalidade mensal:
| Gráfico | O que mostra |
| Overlay (eixo = mês, uma linha por ano) | formato do ciclo no ano e se o padrão é estável entre anos |
| Boxplot por mês | ranking típico dos meses e dispersão entre anos |
| no calendário real | onda anual na seta do tempo depois de tirar o nível lento |
3. Ferramentas de conta: esperança, variância, covariância
Propriedades (valem para tudo que vem depois):
- (linearidade, sempre vale).
- (2º momento bruto menos quadrado da média).
- e .
- .
- .
- . Se as parcelas são não correlacionadas, a variância da soma é a soma das variâncias: .
- Independentes (a volta não vale em geral). Sob normalidade conjunta, independência.
- Sob normalidade conjunta, a média e as covariâncias (2º momento) determinam toda a distribuição do processo.
Funções de um processo:
- Média: .
- Autocovariância: , e .
- Estacionário: , .
4. Estacionariedade fraca
Um processo é fracamente estacionário se:
- é constante em ;
- é finita e constante;
- depende só de (não de ).
Propriedades: , , .
Fraca sem memória: um estacionário pode ter autocorrelação (ex.: AR(1)). Estrita (distribuição conjunta invariante) implica fraca (com variância finita); sob normalidade conjunta, fraca estrita.
Receita para testar um modelo: calcule , e e veja se dependem de .
5. Ruído branco (WN) e as bandas da ACF
Inovações (ruído branco, ):
- se e se ; para .
- É fracamente estacionário e sem memória linear.
- IID WN, mas WN IID (não correlacionado não é independente). Gaussiano: WN IID.
- Bandas da ACF amostral: . Sob WN, cerca de 5% dos lags saem da banda só por acaso. Sair da banda indica autocorrelação, não necessariamente não-estacionariedade.
6. Lag, ACF e PACF
- Lag : defasagem de instantes. é o valor passos atrás.
- Operador defasagem (backshift): e . Diferença: . Diferença sazonal: .
- ACF (autocorrelação no lag ): . Amostral:
- PACF no lag : correlação entre e depois de retirar o efeito dos lags (é o último coeficiente de um AR() ajustado). No lag 1, PACF = ACF.
Assinaturas para identificação:
| Modelo | ACF | PACF |
| AR() | decai (geométrica/oscila) | corta após |
| MA() | corta após | decai |
| ARMA() | decai | decai (nenhuma corta) |
| Ruído branco | em todos os lags | em todos os lags |
| Passeio aleatório | decai muito devagar, | pico no lag 1 |
Sazonal (período ): SAR(1): PACF com pico no lag 12 e ACF decaindo em 12, 24, 36. SMA(1): ACF com pico no lag 12 e corte depois; PACF decai nos lags sazonais.
7. Modelos e contas de estacionariedade
Tendência linear:
- depende de falha a condição 1. e = a do ruído branco. Não é estacionário só por causa da média.
- Remoção: diferenciar, , que tem média constante.
Passeio aleatório: (com )
- , (cresce com ), não estacionário (falha a variância).
- Com deriva : , .
- A diferença é WN. É o ARIMA(0,1,0).
AR(1): , com não correlacionado com
- Se (“esqueceu o início”): , .
- Variância: .
- Multiplicando por e tomando : , logo .
- Fracamente estacionário, com memória: ACF decai geometricamente, PACF corta no lag 1.
- : WN. : passeio aleatório (não estacionário). : ACF oscila. : explosivo.
AR(): , ou com .
- Estacionário todas as raízes de têm (fora do círculo unitário). No AR(1): raiz , então .
MA(): , ou .
- É sempre estacionário (soma finita de WN). Exemplo MA(1): , , , para , logo e a ACF corta após o lag 1.
- Invertibilidade: raízes de com (MA(1): ). Permite escrever o MA como AR().
ARMA(): (parte AR precisa ser estacionária, parte MA invertível).
8. Baselines, previsão e erro
Notação: é a previsão feita em para passos à frente.
| Método | Previsão | Desvio do erro |
| Média | ||
| Ingênuo (naive) | (não depende de ) | |
| Ingênuo sazonal | , | |
| Deriva (drift) |
- Exemplo (drift): , , , : inclinação , então .
- Naive tem porque é soma de inovações não correlacionadas (variância ).
- Reversão à média: num estacionário com , a previsão linear tende a (não ao último valor). Com (integrado) não reverte: fica atrelada ao último nível.
- Ajustado vs previsão verdadeira: (valor ajustado) é previsão dentro da amostra; previsão verdadeira é para instante que não entrou no ajuste.
- Resíduo: . , com = nº de parâmetros estimados.
Diagnóstico de resíduos:
- Essencial: média e não correlacionados (sem memória).
- Desejável: variância constante e normalidade (só afetam os intervalos).
- Box–Pierce: . Ljung–Box: . Sob (resíduos WN), com graus de liberdade ( = nº de parâmetros ARMA estimados).
- p-valor pequeno rejeita : sobrou autocorrelação. p-valor alto é bom sinal, mas não é “requisito absoluto”.
Intervalos e bootstrap:
- Intervalo de 95%: (assume erros aproximadamente normais).
- Bootstrap: reamostra os resíduos (i.i.d.) para simular trajetórias futuras. Só faz sentido se os resíduos são não correlacionados. Se sobrou memória, o bootstrap não corrige o modelo; primeiro modelar a dependência.
9. Métricas de erro
Seja o erro na janela de teste ( = número de pontos).
- MAE (mesma unidade da série).
- RMSE (pune mais erros grandes).
- MAPE . Adimensional, mas explode ou fica indefinido se e é assimétrico: com e dá ; com e dá (penaliza mais superestimar).
- MASE , com o denominador dado por
Escala-livre, funciona com zeros. : o método errou menos que o naive de referência (cujo erro é medido no treino).
- Escore de Winkler (intervalo de nível , menor é melhor):
Dentro do intervalo paga só a largura; fora, largura mais multa vezes a distância ao extremo violado. Balanceia cobertura e largura (95%: ).
10. Transformações e diferenciação
- Box–Cox estabiliza a variância; diferenciar estabiliza a média. Ordem usual: Box–Cox primeiro, diferenciar depois.
- = nº de diferenças regulares (), = nº de diferenças sazonais ().
- Expansão de :
11. ARIMA e SARIMA
ARIMA(): . Ou seja, diferenciar vezes e ajustar um ARMA().
- ARIMA(0,0,0) ruído branco (com média ).
- ARIMA(0,1,0) com passeio aleatório; com passeio com deriva.
- ARIMA(1,0,0) AR(1). ARIMA(0,0,1) MA(1).
- Com a previsão de longo prazo não reverte à média.
SARIMA:
- vem do calendário/frequência (12, 4, 7, …), não é estimado por AIC.
- Ciclo forte: diferença sazonal () primeiro; depois veja se ainda falta . e são decididos por estacionariedade/diagnóstico, não por AIC.
Procedimento de identificação (Box–Jenkins):
- Gráfico e Box–Cox se a variância crescer com o nível.
- Diferenciar até parecer estacionário. KPSS (nível): = série estacionária em nível; p-valor pequeno rejeita, então diferencie. (ADF é o contrário: = raiz unitária.)
- Olhar ACF/PACF (tabela da seção 6). Se ambas decaem sem corte limpo: tratar como ARMA() e escolher por AICc com o mesmo .
- Ajustar candidatos e comparar por AIC/AICc (menor melhor).
- Checar resíduos (Ljung–Box, ACF dos resíduos).
AIC/AICc: ; o AICc corrige para amostra pequena. Só compara modelos com mesmo (e ) e mesma transformação, porque com diferentes a verossimilhança é calculada sobre dados diferentes. Logo não serve para escolher .
12. Armadilhas recorrentes (V–F)
- Ordem no tempo é fundamental; nunca embaralhar para validar.
- Estacionariedade fraca sem memória (AR(1) é estacionário e tem memória).
- WN IID. Sair das bandas da ACF não-estacionário.
- Valor ajustado previsão verdadeira. Resíduo erro de previsão a passos.
- Naive: a previsão não depende de . Média: previsão constante .
- Resíduos com memória: bootstrap i.i.d. não conserta.
- Escolha de , e não é por AIC.
- Passeio aleatório é não estacionário (variância ); tendência linear falha na média.
Comentários da Lista A1
1)
F: em uma série temporal as ordens das observações é fundamental, pois cada observação está associada a um instante e pode depender de observações anteriores
2)
b) os dados que observamos são uma realização de um processo . Exp: é o processo estocástico que representa todas possibilidades de comportamento da variável ao longo do tempo, enquanto é uma realiazação do processo -> os valores efetivamente observados
3)
V: Sob normalidade conjunta a distribuição é completamente determinada por e momentos de segunda ordem. Onde:
Normalidade Conjunta := o vetor de variáveis possui uma distribuição normal multivariada conjunta, e a média é o vetor das médias.
Momento de segunda ordem := bruto é , como e conhecemos a média e o segundo momento, conhecemos a variância e as covariâncias, logo conhemeos a distribuição conjunta normal
4)
F: em ST as observações possuem dependência temporal / ordem natural, na regressão clássica tratamos observações como unidades mais independentes
5)
F: Ajustar um modelo com covariáveis temporais não garante que os resíduos deixem de apresentar dependência temporal. O modelo pode não ter capturado toda a estrutura temporal dos dados
Resíduo := é a diferença entre o valor observado e o previsto
Resíduo sem dependência temporal: significa que o erro em um instante não fornece informação sobre o erro em outro instante. IDealmente, os resíduos são aproximadamente ruído branco: Covariância de ruídos é aproximadamente 0 para instantes diferentes.
6)
B) Resíduos de um modelo com covariáveis no tempo ainda correlacionados ao longo de indicam que: pode restar dependência temporal a modelar
7)
F: A ordem das apresentações representa o próprio tempo, embaralhá-las pode invalidar a validação preditiva.
8)
A) Os 3 usos complementares de modelar séries são: descrever, diagnosticar (memória no tempo) e prever para a frente
9)
C) é o resto depois de retirar a tendência e a sazonalidade:
onde é a tendência, é o padrão sazonal e é o componente restante da série.
Resíduo da decomposição := .
10)
1 → (i), 2 → (iii), 3 → (ii)
Overlay por mês, uma linha por ano → ranking típico dos meses e dispersão entre anos.
Série menos média móvel 12 → onda anual na seta do tempo depois de tirar o nível lento.
Boxplot por mês → formato do ciclo no ano e se o padrão é estável.
11)
F: não é necessariamente o resto puro. A média móvel 12 remove/suaviza principalmente o nível lento, mas a sazonalidade ainda pode permanecer.
Logo, subtrair não é o mesmo que remover e .
12)
F: em séries temporais, o split deve respeitar a ordem temporal; sortear linhas pode misturar passado e futuro e causar data leakage.
13)
V: separa tendência, sazonalidade, covariáveis e resto; olhar apenas mistura esses efeitos.
14)
B) depende de , então falha a condição de média constante da estacionariedade fraca.
15)
F: o passeio aleatório tem , portanto a variância depende de e não é fracamente estacionário.
16)
B) o AR(1) com é fracamente estacionário e tem memória linear: .
17)
F: ruído branco exige ausência de correlação entre instantes distintos, mas não exige independência; portanto não é necessariamente IID.
18)
F: sair das bandas da ACF indica autocorrelação significativa, mas não necessariamente não-estacionariedade.
19)
B) para ruído branco : se e se .
20)
F: estacionariedade fraca não significa ausência de memória; um processo estacionário pode possuir autocorrelação.
21)
F: se , o preditor linear tende à média , e não necessariamente ao último valor .
22)
Drift: .
Logo: .
23)
F: no método ingênuo, para qualquer , portanto a previsão não depende de .
24)
F: valores ajustados são previsões dentro da amostra; previsão verdadeira é feita para um instante futuro que não participou do ajuste.
25)
F: o resíduo é normalmente um erro dentro da amostra, enquanto o erro de previsão a passos é calculado para uma observação futura que não participou do ajuste.
26)
B) no diagnóstico, é essencial que os resíduos tenham média aproximadamente zero e não apresentem autocorrelação.
27)
B) no método da média, com resíduos não correlacionados: .
28)
F: bootstrap IID não corrige a dependência temporal existente nos resíduos; primeiro é necessário modelar adequadamente essa memória.
29)
V: na janela de teste significa erro absoluto médio menor que o do método naive de referência, cujo denominador é calculado no treino.
30)
C) o MAPE fica indefinido ou explode quando e é assimétrico em relação ao erro percentual.
31)
B) dentro do intervalo, o escore é a largura; fora, é a largura mais uma penalização proporcional à distância até o extremo, com fator .
32)
F: usualmente aplica-se Box–Cox antes da diferenciação, para estabilizar a variância antes de buscar estacionariedade na média.
33)
.
34)
B) a PACF no lag é a correlação entre e depois de retirar os efeitos dos lags .
35)
F: no AR(1) estacionário, a ACF decai geometricamente e a PACF corta no lag 1.
36)
O AR() é fracamente estacionário se todas as raízes de satisfazem: .
37)
B) em um MA(), a ACF corta após e a PACF decai.
38)
B) passeio aleatório: com ;
passeio com deriva: com .
39)
F: com , o processo é integrado e a previsão de longo prazo não reverte à média; no passeio aleatório ela permanece associada ao último nível observado.
40)
F: AIC/AICc não deve ser usado isoladamente para determinar o correto; a necessidade de diferenciação deve ser avaliada pela estacionariedade e pelo diagnóstico do modelo.
41)
C) se ACF e PACF decaem sem corte claro, pode-se tratar como ARMA() e escolher por AICc mantendo o mesmo .
42)
No KPSS de nível, a hipótese nula é: : a série é estacionária em nível.
43)
F: em , o período normalmente vem da frequência/calendário da série; não é estimado por AIC junto com .
44)
F: com ciclo forte, a diferenciação sazonal deve ser considerada antes da diferenciação regular quando apropriado, e e são definidos principalmente pelo diagnóstico de estacionariedade, não simplesmente escolhidos por AIC.
45)
B) em um modelo SMA sazonal de ordem 1 com período 12, a ACF apresenta pico no lag 12 e corta nos lags sazonais seguintes, enquanto a PACF decai nos lags sazonais.
Anotações A2
ljung-box no arima: recap
arima e sarima
OLS
Sazonalidade fixa ou estocástica
Efeito sazonal fixo
Janela deslizante