Bruno Ferreira

Séries Temporais

Notas: Estas são anotações pessoais de aula — não necessariamente coesas, não necessariamente estruturadas e, o mais importante, não necessariamente precisas! Por favor, verifique as fontes e sinta-se à vontade para apontar eventuais erros por e-mail!


Anotações da A1

1. Panorama: processo, realização e os 3 usos

  • Série temporal (tempo discreto): observações 𝑦1,…,𝑦𝑛 indexadas no tempo. A ordem importa: cada 𝑦𝑡 pode depender do passado.
  • Processo {𝑌𝑡}: a família de variáveis aleatórias (todas as trajetórias possíveis). Realização {𝑦𝑡}: a única trajetória que de fato observamos.
  • Três usos complementares: descrever (tendência, sazonalidade), diagnosticar (sobrou memória no tempo?) e prever para a frente.
  • Diferença para a regressão tabular: não é só a forma do modelo, é que as observações são dependentes e têm ordem natural. Mesmo com covariáveis no tempo, os resíduos podem continuar dependentes (resíduo com ACF ≠ 0 ⇒ ainda há estrutura a modelar).
  • Split treino/teste é cronológico. Sortear/embaralhar linhas mistura passado e futuro (data leakage) e invalida a validação preditiva.

2. Decomposição 𝑦𝑡=𝑇𝑡+𝑆𝑡+𝑅𝑡

𝑦𝑡=𝑇𝑡+𝑆𝑡+𝑅𝑡⇒𝑅𝑡=𝑦𝑡−𝑇𝑡−𝑆𝑡
  • 𝑇𝑡: tendência, nível de longo prazo.
  • 𝑆𝑡: sazonalidade, padrão que se repete no calendário com período 𝑚 (12 mensal, 4 trimestral, 7 diário com ciclo semanal).
  • 𝑅𝑡: resto (o que sobra depois de nomear 𝑇𝑡 e 𝑆𝑡). Espera-se algo parecido com ruído branco.
  • Com covariáveis: 𝑦𝑡=𝑇𝑡+𝑆𝑡+𝑥𝑡𝑇𝛽+𝑅𝑡. Olhar só o gráfico de 𝑦𝑡 mistura calendário/nível com o que as covariáveis explicariam.
  • Multiplicativo: 𝑦𝑡=𝑇𝑡𝑆𝑡𝑅𝑡; tomando log vira aditivo.
  • Média móvel de janela 12, MA12,𝑡: apaga o ciclo anual e deixa o nível lento (≈𝑇𝑡). Logo 𝑦𝑡−MA12,𝑡≈𝑆𝑡+𝑅𝑡, não é o resto puro.

Três gráficos para a sazonalidade mensal:

GráficoO que mostra
Overlay (eixo = mês, uma linha por ano)formato do ciclo no ano e se o padrão é estável entre anos
Boxplot por mêsranking típico dos meses e dispersão entre anos
𝑦𝑡−MA12 no calendário realonda anual na seta do tempo depois de tirar o nível lento

3. Ferramentas de conta: esperança, variância, covariância

Propriedades (valem para tudo que vem depois):

  • 𝐸[𝑎𝑋+𝑏𝑌+𝑐]=𝑎𝐸[𝑋]+𝑏𝐸[𝑌]+𝑐 (linearidade, sempre vale).
  • Var(𝑋)=𝐸[𝑋2]−𝐸[𝑋]2 (2º momento bruto menos quadrado da média).
  • Cov(𝑋,𝑌)=𝐸[𝑋𝑌]−𝐸[𝑋]𝐸[𝑌] e Cov(𝑋,𝑋)=Var(𝑋).
  • Var(𝑎𝑋+𝑏)=𝑎2Var(𝑋).
  • Cov(𝑎𝑋+𝑏,𝑐𝑌+𝑑)=𝑎𝑐Cov(𝑋,𝑌).
  • Var(𝑋+𝑌)=Var(𝑋)+Var(𝑌)+2Cov(𝑋,𝑌). Se as parcelas são não correlacionadas, a variância da soma é a soma das variâncias: Var(∑𝑖𝜀𝑖)=𝑛𝜎2.
  • Independentes ⇒ Cov=0 (a volta não vale em geral). Sob normalidade conjunta, Cov=0⇔ independência.
  • Sob normalidade conjunta, a média e as covariâncias (2º momento) determinam toda a distribuição do processo.

Funções de um processo:

  • Média: 𝜇𝑌(𝑡)=𝐸[𝑌𝑡].
  • Autocovariância: 𝛾(𝑟,𝑠)=Cov(𝑌𝑟,𝑌𝑠), e 𝛾(𝑡,𝑡)=Var(𝑌𝑡).
  • Estacionário: 𝛾(ℎ)=Cov(𝑌𝑡,𝑌𝑡+ℎ), 𝜌(ℎ)=𝛾(ℎ)𝛾(0).

4. Estacionariedade fraca

Um processo é fracamente estacionário se:

  1. 𝐸[𝑌𝑡]=𝜇 é constante em 𝑡;
  2. Var(𝑌𝑡)=𝛾(0)<∞ é finita e constante;
  3. Cov(𝑌𝑡,𝑌𝑡+ℎ)=𝛾(ℎ) depende só de ℎ (não de 𝑡).

Propriedades: 𝜌(0)=1, |𝜌(ℎ)|≤1, 𝜌(ℎ)=𝜌(−ℎ).

Fraca ≠ sem memória: um estacionário pode ter autocorrelação (ex.: AR(1)). Estrita (distribuição conjunta invariante) implica fraca (com variância finita); sob normalidade conjunta, fraca ⇒ estrita.

Receita para testar um modelo: calcule 𝐸[𝑌𝑡], Var(𝑌𝑡) e Cov(𝑌𝑡,𝑌𝑡+ℎ) e veja se dependem de 𝑡.

5. Ruído branco (WN) e as bandas da ACF

Inovações 𝜀𝑡 (ruído branco, WN(0,𝜎2)):

𝐸[𝜀𝑡]=0,Var(𝜀𝑡)=𝜎2,Cov(𝜀𝑠,𝜀𝑡)=0 para 𝑠≠𝑡
  • 𝛾(ℎ)=𝜎2 se ℎ=0 e 0 se ℎ≠0; 𝜌(ℎ)=0 para ℎ≠0.
  • É fracamente estacionário e sem memória linear.
  • IID(0,𝜎2) ⇒ WN, mas WN ↛ IID (não correlacionado não é independente). Gaussiano: WN ⇔ IID.
  • Bandas da ACF amostral: ±1.96𝑛. Sob WN, cerca de 5% dos lags saem da banda só por acaso. Sair da banda indica autocorrelação, não necessariamente não-estacionariedade.

6. Lag, ACF e PACF

  • Lag 𝑘: defasagem de 𝑘 instantes. 𝑦𝑡−𝑘 é o valor 𝑘 passos atrás.
  • Operador defasagem (backshift): 𝐵𝑦𝑡=𝑦𝑡−1 e 𝐵𝑘𝑦𝑡=𝑦𝑡−𝑘. Diferença: (1−𝐵)𝑦𝑡=𝑦𝑡−𝑦𝑡−1. Diferença sazonal: (1−𝐵𝑚)𝑦𝑡=𝑦𝑡−𝑦𝑡−𝑚.
  • ACF (autocorrelação no lag ℎ): 𝜌(ℎ)=Cor(𝑌𝑡,𝑌𝑡+ℎ)=𝛾(ℎ)𝛾(0). Amostral:
𝛾̂(ℎ)=1𝑛∑𝑡=1𝑛−ℎ(𝑦𝑡−𝑦)(𝑦𝑡+ℎ−𝑦),𝑟ℎ=𝛾̂ℎ𝛾̂(0)
  • PACF no lag 𝑘: correlação entre 𝑦𝑡 e 𝑦𝑡−𝑘 depois de retirar o efeito dos lags 1,…,𝑘−1 (é o último coeficiente 𝜑𝑘𝑘 de um AR(𝑘) ajustado). No lag 1, PACF = ACF.

Assinaturas para identificação:

ModeloACFPACF
AR(𝑝)decai (geométrica/oscila)corta após 𝑝
MA(𝑞)corta após 𝑞decai
ARMA(𝑝,𝑞)decaidecai (nenhuma corta)
Ruído branco≈0 em todos os lags≈0 em todos os lags
Passeio aleatóriodecai muito devagar, 𝑟1≈1pico no lag 1

Sazonal (período 𝑚=12): SAR(1): PACF com pico no lag 12 e ACF decaindo em 12, 24, 36. SMA(1): ACF com pico no lag 12 e corte depois; PACF decai nos lags sazonais.

7. Modelos e contas de estacionariedade

Tendência linear: 𝑌𝑡=𝛽0+𝛽1𝑡+𝜀𝑡

  • 𝐸[𝑌𝑡]=𝛽0+𝛽1𝑡 depende de 𝑡 ⇒ falha a condição 1. Var(𝑌𝑡)=𝜎2 e Cov = a do ruído branco. Não é estacionário só por causa da média.
  • Remoção: diferenciar, 𝑌𝑡−𝑌𝑡−1=𝛽1+𝜀𝑡−𝜀𝑡−1, que tem média constante.

Passeio aleatório: 𝑌𝑡=𝑌𝑡−1+𝜀𝑡=∑𝑖=1𝑡𝜀𝑖 (com 𝑌0=0)

  • 𝐸[𝑌𝑡]=0, Var(𝑌𝑡)=𝑡𝜎2 (cresce com 𝑡), 𝛾(𝑟,𝑠)=min(𝑟,𝑠)𝜎2 ⇒ não estacionário (falha a variância).
  • Com deriva 𝛿: 𝑌𝑡=𝛿+𝑌𝑡−1+𝜀𝑡, 𝐸[𝑌𝑡]=𝛿𝑡.
  • A diferença 𝑌𝑡−𝑌𝑡−1=𝜀𝑡 é WN. É o ARIMA(0,1,0).

AR(1): 𝑌𝑡=𝜑𝑌𝑡−1+𝜀𝑡, com 𝜀𝑡 não correlacionado com 𝑌𝑡−1

  • Se |𝜑|<1 (“esqueceu o início”): 𝑌𝑡=∑𝑗≥0𝜑𝑗𝜀𝑡−𝑗, 𝐸[𝑌𝑡]=0.
  • Variância: 𝛾(0)=𝜑2𝛾(0)+𝜎2⇒𝛾(0)=𝜎21−𝜑2.
  • Multiplicando por 𝑌𝑡−ℎ e tomando 𝐸: 𝛾(ℎ)=𝜑𝛾(ℎ−1)=𝜑ℎ𝛾(0), logo 𝜌(ℎ)=𝜑ℎ.
  • Fracamente estacionário, com memória: ACF decai geometricamente, PACF corta no lag 1.
  • 𝜑=0: WN. 𝜑=1: passeio aleatório (não estacionário). 𝜑<0: ACF oscila. |𝜑|>1: explosivo.

AR(𝑝): 𝑌𝑡=𝜑1𝑌𝑡−1+…+𝜑𝑝𝑌𝑡−𝑝+𝜀𝑡, ou 𝜑(𝐵)𝑌𝑡=𝜀𝑡 com 𝜑(𝑧)=1−𝜑1𝑧−…−𝜑𝑝𝑧𝑝.

  • Estacionário ⇔ todas as raízes de 𝜑(𝑧)=0 têm |𝑧|>1 (fora do círculo unitário). No AR(1): raiz 𝑧=1𝜑, então |𝑧|>1⇔|𝜑|<1.

MA(𝑞): 𝑌𝑡=𝜀𝑡+𝜃1𝜀𝑡−1+…+𝜃𝑞𝜀𝑡−𝑞, ou 𝑌𝑡=𝜃(𝐵)𝜀𝑡.

  • É sempre estacionário (soma finita de WN). Exemplo MA(1): 𝐸[𝑌𝑡]=0, 𝛾(0)=𝜎2(1+𝜃2), 𝛾(1)=𝜃𝜎2, 𝛾(ℎ)=0 para ℎ≥2, logo 𝜌(1)=𝜃1+𝜃2 e a ACF corta após o lag 1.
  • Invertibilidade: raízes de 𝜃(𝑧)=1+𝜃1𝑧+…+𝜃𝑞𝑧𝑞 com |𝑧|>1 (MA(1): |𝜃|<1). Permite escrever o MA como AR(∞).

ARMA(𝑝,𝑞): 𝜑(𝐵)𝑌𝑡=𝜃(𝐵)𝜀𝑡 (parte AR precisa ser estacionária, parte MA invertível).

8. Baselines, previsão e erro

Notação: 𝑦̂𝑇+ℎ|𝑇 é a previsão feita em 𝑇 para ℎ passos à frente.

MétodoPrevisãoDesvio 𝜎̂ℎ do erro
Média𝑦𝜎̂1+1𝑇
Ingênuo (naive)𝑦𝑇 (não depende de ℎ)𝜎̂ℎ
Ingênuo sazonal𝑦𝑇+ℎ−𝑚(𝑘+1), 𝑘=⌊ℎ−1𝑚⌋𝜎̂𝑘+1
Deriva (drift)𝑦𝑇+ℎ⋅𝑦𝑇−𝑦1𝑇−1𝜎̂ℎ(1+ℎ𝑇)
  • Exemplo (drift): 𝑦1=10, 𝑦𝑇=20, 𝑇=11, ℎ=2: inclinação 20−1011−1=1, então 𝑦̂𝑇+2|𝑇=20+2⋅1=22.
  • Naive tem 𝜎̂ℎ porque 𝑦𝑇+ℎ−𝑦𝑇 é soma de ℎ inovações não correlacionadas (variância ℎ𝜎2).
  • Reversão à média: num estacionário com 𝜌(ℎ)→0, a previsão linear tende a 𝜇 (não ao último valor). Com 𝑑=1 (integrado) não reverte: fica atrelada ao último nível.
  • Ajustado vs previsão verdadeira: 𝑦̂𝑡 (valor ajustado) é previsão dentro da amostra; previsão verdadeira é para instante que não entrou no ajuste.
  • Resíduo: 𝑒𝑡=𝑦𝑡−𝑦̂𝑡. 𝜎̂2=1𝑇−𝐾∑𝑡𝑒𝑡2, com 𝐾 = nº de parâmetros estimados.

Diagnóstico de resíduos:

  • Essencial: média ≈0 e não correlacionados (sem memória).
  • Desejável: variância constante e normalidade (só afetam os intervalos).
  • Box–Pierce: 𝑄=𝑛∑𝑘=1ℓ𝑟𝑘2. Ljung–Box: 𝑄∗=𝑛(𝑛+2)∑𝑘=1ℓ𝑟𝑘2𝑛−𝑘. Sob 𝐻0 (resíduos WN), 𝑄≈𝜒2 com ℓ−𝐾 graus de liberdade (𝐾 = nº de parâmetros ARMA estimados).
  • p-valor pequeno rejeita 𝐻0: sobrou autocorrelação. p-valor alto é bom sinal, mas não é “requisito absoluto”.

Intervalos e bootstrap:

  • Intervalo de 95%: 𝑦̂𝑇+ℎ|𝑇±1.96𝜎̂ℎ (assume erros aproximadamente normais).
  • Bootstrap: reamostra os resíduos (i.i.d.) para simular trajetórias futuras. Só faz sentido se os resíduos são não correlacionados. Se sobrou memória, o bootstrap não corrige o modelo; primeiro modelar a dependência.

9. Métricas de erro

Seja 𝑒𝑡=𝑦𝑡−𝑦̂𝑡 o erro na janela de teste (ℎ = número de pontos).

  • MAE =1ℎ∑|𝑒𝑡| (mesma unidade da série).
  • RMSE =1ℎ∑𝑒𝑡2 (pune mais erros grandes).
  • MAPE =100ℎ∑|𝑒𝑡𝑦𝑡|. Adimensional, mas explode ou fica indefinido se 𝑦𝑡≈0 e é assimétrico: com 𝑦=100 e 𝑦̂=150 dá 50%; com 𝑦=150 e 𝑦̂=100 dá 33% (penaliza mais superestimar).
  • MASE =MAEtesteMAEnaive, treino, com o denominador dado por
(1𝑇−1)∑𝑡=2𝑇|𝑦𝑡−𝑦𝑡−1|(sazonal: |𝑦𝑡−𝑦𝑡−𝑚|)

Escala-livre, funciona com zeros. MASE<1: o método errou menos que o naive de referência (cujo erro é medido no treino).

  • Escore de Winkler (intervalo [𝑙,𝑢] de nível 1−𝛼, menor é melhor):
𝑊𝛼={(𝑢−𝑙)+2𝛼(𝑙−𝑦)se 𝑦<𝑙(𝑢−𝑙)se 𝑙≤𝑦≤𝑢(𝑢−𝑙)+2𝛼(𝑦−𝑢)se 𝑦>𝑢

Dentro do intervalo paga só a largura; fora, largura mais multa 2𝛼 vezes a distância ao extremo violado. Balanceia cobertura e largura (95%: 2𝛼=40).

10. Transformações e diferenciação

  • Box–Cox estabiliza a variância; diferenciar estabiliza a média. Ordem usual: Box–Cox primeiro, diferenciar depois.
  • 𝑑 = nº de diferenças regulares ((1−𝐵)𝑑), 𝐷 = nº de diferenças sazonais ((1−𝐵𝑚)𝐷).
  • Expansão de (1−𝐵)(1−𝐵𝑚)𝑦𝑡:
(1−𝐵)(1−𝐵𝑚)𝑦𝑡=𝑦𝑡−𝑦𝑡−1−𝑦𝑡−𝑚+𝑦𝑡−𝑚−1

11. ARIMA e SARIMA

ARIMA(𝑝,𝑑,𝑞): 𝜑(𝐵)(1−𝐵)𝑑𝑦𝑡=𝑐+𝜃(𝐵)𝜀𝑡. Ou seja, diferenciar 𝑑 vezes e ajustar um ARMA(𝑝,𝑞).

  • ARIMA(0,0,0) = ruído branco (com média 𝑐).
  • ARIMA(0,1,0) com 𝑐=0 = passeio aleatório; com 𝑐≠0 = passeio com deriva.
  • ARIMA(1,0,0) = AR(1). ARIMA(0,0,1) = MA(1).
  • Com 𝑑=1 a previsão de longo prazo não reverte à média.

SARIMA(𝑝,𝑑,𝑞)(𝑃,𝐷,𝑄)𝑚:

Φ(𝐵𝑚)𝜑(𝐵)(1−𝐵)𝑑(1−𝐵𝑚)𝐷𝑦𝑡=𝑐+Θ(𝐵𝑚)𝜃(𝐵)𝜀𝑡
  • 𝑚 vem do calendário/frequência (12, 4, 7, …), não é estimado por AIC.
  • Ciclo forte: diferença sazonal (𝐷) primeiro; depois veja se ainda falta 𝑑. 𝑑 e 𝐷 são decididos por estacionariedade/diagnóstico, não por AIC.

Procedimento de identificação (Box–Jenkins):

  1. Gráfico e Box–Cox se a variância crescer com o nível.
  2. Diferenciar até parecer estacionário. KPSS (nível): 𝐻0 = série estacionária em nível; p-valor pequeno rejeita, então diferencie. (ADF é o contrário: 𝐻0 = raiz unitária.)
  3. Olhar ACF/PACF (tabela da seção 6). Se ambas decaem sem corte limpo: tratar como ARMA(𝑝,𝑞) e escolher 𝑝,𝑞 por AICc com o mesmo 𝑑.
  4. Ajustar candidatos e comparar por AIC/AICc (menor melhor).
  5. Checar resíduos (Ljung–Box, ACF dos resíduos).

AIC/AICc: AIC=−2log𝐿+2𝑘; o AICc corrige para amostra pequena. Só compara modelos com mesmo 𝑑 (e 𝐷) e mesma transformação, porque com 𝑑 diferentes a verossimilhança é calculada sobre dados diferentes. Logo não serve para escolher 𝑑.

12. Armadilhas recorrentes (V–F)

  • Ordem no tempo é fundamental; nunca embaralhar para validar.
  • Estacionariedade fraca ≠ sem memória (AR(1) é estacionário e tem memória).
  • WN ≠ IID. Sair das bandas da ACF ≠ não-estacionário.
  • Valor ajustado ≠ previsão verdadeira. Resíduo ≠ erro de previsão a ℎ passos.
  • Naive: a previsão não depende de ℎ. Média: previsão constante 𝑦.
  • Resíduos com memória: bootstrap i.i.d. não conserta.
  • Escolha de 𝑑, 𝐷 e 𝑚 não é por AIC.
  • Passeio aleatório é não estacionário (variância 𝑡𝜎2); tendência linear falha na média.
Comentários da Lista A1

1)

F: em uma série temporal as ordens das observações é fundamental, pois cada observação está associada a um instante e pode depender de observações anteriores

2)

b) os dados que observamos são uma realização {𝑦𝑡} de um processo {𝑌𝑡}. Exp: {𝑌𝑡} é o processo estocástico que representa todas possibilidades de comportamento da variável ao longo do tempo, enquanto {𝑦𝑡} é uma realiazação do processo -> os valores efetivamente observados

3)

V: Sob normalidade conjunta a distribuição é completamente determinada por 𝐸[𝑌] e momentos de segunda ordem. Onde:

Normalidade Conjunta := o vetor de variáveis (𝑌1,…,𝑌𝑛) possui uma distribuição normal multivariada conjunta, e a média é o vetor das médias.

Momento de segunda ordem := bruto é 𝐸[𝑌²], como Var(𝑌)=𝐸[𝑋²]−𝐸[𝑋]² e conhecemos a média 𝐸[𝑋] e o segundo momento, conhecemos a variância e as covariâncias, logo conhemeos a distribuição conjunta normal

4)

F: em ST as observações possuem dependência temporal / ordem natural, na regressão clássica tratamos observações como unidades mais independentes

5)

F: Ajustar um modelo com covariáveis temporais não garante que os resíduos deixem de apresentar dependência temporal. O modelo pode não ter capturado toda a estrutura temporal dos dados

Resíduo := é a diferença entre o valor observado e o previsto 𝑒𝑡=𝑦𝑡−𝑦𝑡̂

Resíduo sem dependência temporal: significa que o erro em um instante não fornece informação sobre o erro em outro instante. IDealmente, os resíduos são aproximadamente ruído branco: Covariância de ruídos é aproximadamente 0 para instantes diferentes.

6)

B) Resíduos de um modelo com covariáveis no tempo ainda correlacionados ao longo de indicam que: pode restar dependência temporal a modelar

7)

F: A ordem das apresentações representa o próprio tempo, embaralhá-las pode invalidar a validação preditiva.

8)

A) Os 3 usos complementares de modelar séries são: descrever, diagnosticar (memória no tempo) e prever para a frente

9)

C) 𝑅𝑡 é o resto depois de retirar a tendência e a sazonalidade:

𝑦𝑡=𝑇𝑡+𝑆𝑡+𝑅𝑡

onde 𝑇𝑡 é a tendência, 𝑆𝑡 é o padrão sazonal e 𝑅𝑡 é o componente restante da série.

Resíduo da decomposição := 𝑅𝑡=𝑦𝑡−𝑇𝑡−𝑆𝑡.

10)

1 → (i), 2 → (iii), 3 → (ii)

  1. Overlay por mês, uma linha por ano → ranking típico dos meses e dispersão entre anos.

  2. Série menos média móvel 12 → onda anual na seta do tempo depois de tirar o nível lento.

  3. Boxplot por mês → formato do ciclo no ano e se o padrão é estável.

11)

F: 𝑦𝑡−MA12,𝑡 não é necessariamente o resto 𝑅𝑡 puro. A média móvel 12 remove/suaviza principalmente o nível lento, mas a sazonalidade 𝑆𝑡 ainda pode permanecer.

𝑦𝑡=𝑇𝑡+𝑆𝑡+𝑅𝑡

Logo, subtrair MA12 não é o mesmo que remover 𝑇𝑡 e 𝑆𝑡.

12)

F: em séries temporais, o split deve respeitar a ordem temporal; sortear linhas pode misturar passado e futuro e causar data leakage.

13)

V: 𝑦𝑡=𝑇𝑡+𝑆𝑡+𝑥𝑡𝑇𝛽+𝑅𝑡 separa tendência, sazonalidade, covariáveis e resto; olhar apenas 𝑦𝑡 mistura esses efeitos.

14)

B) 𝜇𝑌(𝑡)=𝛽0+𝛽1𝑡 depende de 𝑡, então falha a condição de média constante da estacionariedade fraca.

15)

F: o passeio aleatório tem Var(𝑌𝑡)=𝑡𝜎2, portanto a variância depende de 𝑡 e não é fracamente estacionário.

16)

B) o AR(1) com |𝜑|<1 é fracamente estacionário e tem memória linear: 𝜌(ℎ)=𝜑ℎ.

17)

F: ruído branco exige ausência de correlação entre instantes distintos, mas não exige independência; portanto não é necessariamente IID.

18)

F: sair das bandas da ACF indica autocorrelação significativa, mas não necessariamente não-estacionariedade.

19)

B) para ruído branco 𝑌𝑡=𝜀𝑡: 𝛾(𝑟,𝑠)=𝜎2 se 𝑟=𝑠 e 0 se 𝑟≠𝑠.

20)

F: estacionariedade fraca não significa ausência de memória; um processo estacionário pode possuir autocorrelação.

21)

F: se 𝜌(ℎ)→0, o preditor linear tende à média 𝜇, e não necessariamente ao último valor 𝑌𝑛.

22)

Drift: 𝑦𝑇−𝑦1𝑇−1=20−1011−1=1.

Logo: 𝑦𝑇+2|𝑇̂=𝑦𝑇+2(1)=22.

23)

F: no método ingênuo, 𝑦𝑇+ℎ|𝑇̂=𝑦𝑇 para qualquer ℎ, portanto a previsão não depende de ℎ.

24)

F: valores ajustados 𝑦𝑡̂ são previsões dentro da amostra; previsão verdadeira é feita para um instante futuro que não participou do ajuste.

25)

F: o resíduo é normalmente um erro dentro da amostra, enquanto o erro de previsão a ℎ passos é calculado para uma observação futura que não participou do ajuste.

26)

B) no diagnóstico, é essencial que os resíduos tenham média aproximadamente zero e não apresentem autocorrelação.

27)

B) no método da média, com resíduos não correlacionados: 𝜎̂ℎ=𝜎̂1+1𝑇.

28)

F: bootstrap IID não corrige a dependência temporal existente nos resíduos; primeiro é necessário modelar adequadamente essa memória.

29)

V: MASE<1 na janela de teste significa erro absoluto médio menor que o do método naive de referência, cujo denominador é calculado no treino.

30)

C) o MAPE fica indefinido ou explode quando 𝑦𝑡≈0 e é assimétrico em relação ao erro percentual.

31)

B) dentro do intervalo, o escore é a largura; fora, é a largura mais uma penalização proporcional à distância até o extremo, com fator 2𝛼.

32)

F: usualmente aplica-se Box–Cox antes da diferenciação, para estabilizar a variância antes de buscar estacionariedade na média.

33)

(1−𝐵)(1−𝐵𝑚)𝑦𝑡=𝑦𝑡−𝑦𝑡−1−𝑦𝑡−𝑚+𝑦𝑡−𝑚−1.

34)

B) a PACF no lag 𝑘 é a correlação entre 𝑦𝑡 e 𝑦𝑡−𝑘 depois de retirar os efeitos dos lags 1,…,𝑘−1.

35)

F: no AR(1) estacionário, a ACF decai geometricamente e a PACF corta no lag 1.

36)

O AR(𝑝) é fracamente estacionário se todas as raízes de 𝜑(𝑧)=0 satisfazem: |𝑧|>1.

37)

B) em um MA(𝑞), a ACF corta após 𝑞 e a PACF decai.

38)

B) passeio aleatório: ARIMA(0,1,0) com 𝐶=0;

passeio com deriva: ARIMA(0,1,0) com 𝐶≠0.

39)

F: com 𝑑=1, o processo é integrado e a previsão de longo prazo não reverte à média; no passeio aleatório ela permanece associada ao último nível observado.

40)

F: AIC/AICc não deve ser usado isoladamente para determinar o 𝑑 correto; a necessidade de diferenciação deve ser avaliada pela estacionariedade e pelo diagnóstico do modelo.

41)

C) se ACF e PACF decaem sem corte claro, pode-se tratar como ARMA(𝑝,𝑞) e escolher 𝑝,𝑞 por AICc mantendo o mesmo 𝑑.

42)

No KPSS de nível, a hipótese nula é: 𝐻0: a série é estacionária em nível.

43)

F: em SARIMA(𝑝,𝑑,𝑞)(𝑃,𝐷,𝑄)𝑚, o período 𝑚 normalmente vem da frequência/calendário da série; não é estimado por AIC junto com 𝑃.

44)

F: com ciclo forte, a diferenciação sazonal deve ser considerada antes da diferenciação regular quando apropriado, e 𝑑 e 𝐷 são definidos principalmente pelo diagnóstico de estacionariedade, não simplesmente escolhidos por AIC.

45)

B) em um modelo SMA sazonal de ordem 1 com período 12, a ACF apresenta pico no lag 12 e corta nos lags sazonais seguintes, enquanto a PACF decai nos lags sazonais.

Anotações A2

ljung-box no arima: recap

arima e sarima

OLS

Sazonalidade fixa ou estocástica

Efeito sazonal fixo

Janela deslizante